domingo, 19 de junho de 2016

Um dia..

Um dia acordei e procurei por mim. Me levantei, corri até o espelho. Me senti estranha..
O coração batia de uma forma um tanto diferente.
Abri o armário, peguei um roupão de banho, prendi o cabelo.
Tirei aquele resto de maquiagem que ainda sombreava o olhar meio pálido.
Dei uma espreguiçada, e resolvi olhar pela fresta da janela. Havia sol, mas o coração parecia não entender bem onde estava e porque não queria sair dali. 
Fui atrás de saber o que havia acontecido comigo.
Liguei o chuveiro, deixei a água cair sob a pele; deixei o calor do banho aquecer minha alma que parecia gelada e sem paz por dentro.
Demorei algum tempo ali. Tentei colocar as ideias em ordem. Mais uma vez não entendia a (des)ordem que me assolava. .
Foi quando eu percebi que havia dado liberdade demais pra que se apoderassem do meu espaço. Foi quando eu vi que a casa não era mais minha.
Que a pintura estava rachada precisando de reparo. Que a música do rádio não era a que eu queria. Que as coisas fora de lugar não combinavam mais com meu jeito.
Que os livros estavam abandonados a própria sorte, ao relento. Que o café não tinha gosto. Que o mês que eu menos gostava ainda era agosto. 
Que o tecido do sofá estava desbotado. Que faltava flor na entrada. Que faltava o perfume mais amadeirado na bancada do banheiro. Um dia eu acordei tentando saber o que fazer pra me buscar sem que invadissem meu templo. Foi quando me destranquei. Joguei a cópia da chave fora. Parei de confiar tanto. Tomei posse do que é meu por direito.

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