quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Quando decidi ser paz..

Quando decidi ser paz desarmei as coisas ruins. Decidi viver por conta própria. Fechei o coração pro que não deu certo, parei de me rebaixar ou implorar atenção.
Quando eu decidi ter direito à minha vida desacorrentei o arrastar da alma, o que atrasa, o que não compreende, não vê.
Deixei ir. Parei de comparar, parei de lamentar, parei de aceitar sobras.
Quando eu decidi seguir em frente sabendo de todas as minhas responsabilidades tratei de respirar fundo, tratei de compreender mais o meu eu.
Joguei a toalha, abri a porta da rua e coloquei para fora o que me deixava infeliz o que não refletia amor, o que não era aconchego, o que parecia ser só desespero ou medo da solidão.
Parei de criar caso comigo parei de querer me sustentar onde não havia alicerce.
Quando eu decidi vestir a roupa de viver, parei de usar farrapos, parei de me sentir vítima e fui tentar a sorte; fui buscar meu norte com a bússola do coração.
Quando eu decidi ser paz eu não interrompi o ciclo da vida, nem deixei de enfrentar as tempestades, nem de sentir desejo de amor.
Só mudei o lado, mudei o prisma. Passei a me ver melhor. Meus rompantes de dor foram necessários, minhas noites de insônia clarearam o espírito. Minha fé se reforçou.
Já me agigantei me achando autossuficiente, já me senti frágil dentro do menor abalo, já chorei em silêncio. Hoje o tempo é outro. O Olhar também.
Mas não me faltam flores, nem o colorido do arco íris. Ainda sinto o cheiro daquele perfume amadeirado que percorreu meu corpo. Ainda guardo tesouros secretos. Tenho sentimentos mais discretos, tenho mais autonomia sobre minha vida.
Não mais me revelo tanto assim. Mas já me rebelei, já deixei transparecer tudo aquilo que não cabia mais. Já corri atrás até cansar os pés e descansar em algum lugar que não fosse um pesadelo a mais dentro das coisas que vivi.
Quando eu decidi segurar as rédeas vi que poderia soltá-las, poderia simplesmente não estar mais nem aí pra nada. Mas vi que meu fardo ninguém suporta. Por isso posso até arrebentar a corda, posso cair. Mas o que é meu não pertence a ninguém. Pertence a cada suspiro de felicidade ou tristeza, pertence a cada dia que me levanto e sei que preciso seguir.
Deus sabe de tudo, e eu o acompanho a cada segundo.
Dei o grito de liberdade porque a alma não estava mais à vontade. Foi aí, que eu provei do gosto da minha existência. Vivência essa que ninguém vive por mim.

Imagem - Google

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