sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Ana..

Diante da janela ainda aberta, Ana consegue ver as estrelas que brilham sozinhas sem brigar por espaço algum.
Ela se debruça e observa o céu como quem tem uma longa conversa.
O relógio mostra que o tempo tem passado e que os móveis claros precisam de uma reforma.
Que precisa jogar fora os velhos jornais com algumas noticias recortadas.
Ela teima em manter aquele canto desarrumado. Teima em guardar aquele retrato de anos atrás como se fosse um pequeno amuleto de saudade.
Mas ela sabe que as melhores recordações estão no coração, no olhar que muita coisa sentiu em meio às passagens que lhe abriram portas e que vibraram de forma intensa em seu caminho.
É tarde da noite, e Ana não consegue dormir. Abre o livro de cabeceira, olha ao redor e sente de repente um perfume suave invadindo o quarto.
Começou a sorrir. Lembrou-se dos telefonemas no meio da madrugada, das juras que pareciam preencher aquele campo vazio incompreendido..
Deu uma volta pela casa, foi até a janela. Sussurrou alguma coisa baixinho.
Soltou o cabelo deu um suspiro, fechou os olhos.
Sentiu-se mais próxima das lembranças.
Tudo cabia ali.

Sil Guidorizzi..





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