Nem é sobre você, é sobre mim.
É sobre essa vontade de me resgatar sem que eu precise pedir desculpas por tudo.
No fundo, eu sei o que aconteceu, mas sei que a resposta do tempo me mostrou quem é quem e a quem devo recorrer quando tudo estiver difícil.
Estou mais fluida, envolta em um momento que só pertence a mim e mais ninguém.
Sou para poucos, para quem não me deixa em segundo plano, para quem me deixa ser um lugar de fala, sem ser julgada por isso.
Meu coração dança quando ouve Marisa Monte, meu coração encontra refúgio no silêncio de quem pensou demais, amou demais, sofreu demais, mas não se arrependeu em nenhum momento pela falta de respiração ou pela paixão absoluta que envolveu meus poros, meu peito, trazendo frescor e brilho no olhar.
Dizem que o amor acontece, mas ele também se vai quando alguém decide partir sem olhar para trás.
Não importa, continuo abrindo a porta, continuo me olhando no espelho e vendo que a maturidade me fez bem, que estou nos planos de Deus e que ELE sempre me conforta quando a vida parece apertar demais.
Se ainda sinto saudade, é sinal de que alguma coisa boa ainda ficou aqui dentro. Não posso mudar destinos, posso seguir o meu sem ser um estorvo a mim mesma.
Não sou de mágoa, de raiva, nem de viver aprisionada no que não era para ser. Foi assim que entendi que caminhos mudam, pessoas vão embora e o agora é o que tenho que viver.
Quem quer fica, quem não quer segue seu caminho.
Não esfriei nem endureci. Apenas entendi que me amo acima de qualquer coisa.
Estou colocando meus tijolinhos e me alicerçando melhor.
Chamo isso de cura e reconexão.
Se escrevo, é porque sinto minha alma livre.
Já doeu, mas hoje passei a limpo o rascunho de emoções que deixei no canto da prateleira da vida.
Venci.
Sil Guidorizzi

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