segunda-feira, 31 de maio de 2021

Sou uma pessoa de sorte; solavanquei mas consegui sobreviver.

 

O tempo tem me mostrado tanta coisa; tem dito tudo, que no fundo, muitas vezes não quis ouvir.

Um tempo por vezes silencioso, transitório, confuso, dançando dentro do meu coração que tanto se percorreu por aí.

O tempo tem sido útil, tem sido leve e ao mesmo tempo carregado de tempestades emocionais passageiras, de coisas que bagunçaram o eixo, desarrumaram minha vida, que me fizeram buscar forças além de mim.

Muitas vezes eu corri, me protegi, deixei tudo passar.

Mas eu confesso que me tornei alguém melhor do que já fui. Confesso que se tivesse a maturidade de hoje não cometeria mais os mesmos erros, não seria assim tão carente de sentimentos que não vivi.

Talvez dentro das camadas que descasquei, encontrei algo que me aprofundou e me fez maior não de ganância ou prepotência, mas alguém com coragem e ousadia para se levantar e dar a cara para bater mesmo se doendo por dentro.

O tempo, que sempre me trouxe e levou o que foi preciso, também me acomodou em lugares macios, em abraços fortalecidos em instantes que foram abençoados por Deus.

E quem sou para reclamar do agora. Agora mesmo o que eu sinto é a sensação de que o céu lá fora é tão grande quanto o tamanho da minha fé, tão grande quanto a luz que recebo em momentos de aflição e medo.

Às vezes sinto que não sou daqui, que quis encontrar algo que não vi, e que muitas vezes me esbarrei naquilo que não percebi.

Estranhamente eu sei que a vida é esse constante revelar, é esse constante interceder, onde tudo está plenamente escrito.

Muitas vezes o olhar se perdeu, a visão ficou turva porque em algum momento fiquei mais descrente.

Mas eu tenho algo que me leva e me diz que a proteção maior vem do alto e que ELE lá de cima não desampara ninguém.

De peito aberto eu tenho relevado muita coisa e adentrado outras que me mostram um despertar diferente.

É a consciência de quem se que sustenta e se eleva a cada dia.

O tempo cuidou de tudo, assim como foi cúmplice de tudo que atravessei.

Nessas travessias, onde pontes serviram de escada, onde muros foram fechados por conta de endurecimento de quem não quis se abrir, percebi que não dá para nadar no raso e viver uma vida urgente para quem não sabe corresponder.

Tudo que tenho endereçado são cartas de gratidão ao universo pedindo saúde para continuar o que aflora aqui dentro.

O tempo faz parte do que levo hoje, do que embalo no presente.

Presente, esse, que me trouxe tantos esclarecimentos.

Sou uma pessoa de sorte; solavanquei mas consegui sobreviver.

 

Sil Guidorizzi


Foto de Alexandr Podvalny no Pexels

 

sábado, 15 de maio de 2021

“Um salve para aquilo que me mostrou o que precisei aprender com bravura nos olhos e muitas vezes com rasgos no peito”

 

Às vezes eu acho que estou certa, às vezes errada.

Às vezes me sinto de asa quebrada e coração disperso.

Mas eu sinto que tudo está tão perto e ao mesmo tempo distante do alcance das minhas mãos.

Mas ao abrir os braços, ao abrir a consciência, vejo que lá do alto forças se multiplicam sobre mim.

Está tudo escrito, está tudo sendo decifrado pelo agora que vivo sem tanto medo.

Eu não lamento, apenas sinto que devo parar e me cuidar melhor, devo fechar os olhos e tapar os ouvidos para as indiferenças que não agregam o meu dia a dia.

Muito barulho me incomoda, muito estranhamento me distância.

Sei lá, quero brotar de onde eu venho sem tanto constrangimento.

Quero ser feliz do meu jeito torto, por vezes, arredio.

Que a vida me empreste esse tanto de luz que se espalha em pleno universo.

Que meus guias me protejam e tudo se restabeleça da melhor forma possível.

Estou lutando; estou reaprendendo com tantos tropeços.

Um salve para aquilo que me mostrou o que precisei aprender com bravura nos olhos e muitas vezes com rasgos no peito.

Nada me pertence, nada é tão exato quanto os desígnios do alto.

Que eu seja apenas o motivar que gira a manivela do novo dia sem tanta pressa, sem tanto sofrer.

Mas ELE sabe o que faz e independentemente de tudo que já atravessei, sigo me perdoando, sigo desejando que cada um seja feliz à sua maneira.

Não existe outra maneira senão a de juntar as coisas que ainda me ensinam a ser melhor dentro dos meus pertences individuais, dentro da minha sanidade e da crença que respiro.

O que me cabe, me cabe. O que já excedeu já ultrapassou os meus limites.

Estou cada dia mais convencida de que estar em paz é melhor do que viver corroendo a corda do que não faz bem.

Cada vez que vou me juntando ao essencial, mais desapego eu sinto.

Estou crescendo. Minhas sementes internas já não estão morrendo à mingua.

Estou cuidando melhor do meu jardim.

 

Sil Guidorizzi

 

 

A vida bate muito!


A vida bate muito. Ninguém está livre de apanhar. Assim como ela nos oferece tempos mais suaves, ela também nos dá a outra face.

Nem sempre aguentamos o tranco. Nem sempre dá para segurar.

Quando vamos amadurecendo diante das consequências de nosso destino, vamos aprendendo a priorizar o que realmente é importante.

Paramos de nos sujeitar as coisas medíocres pequenas e rasas que insistiram em nos oferecer.

E aí a gente vai percebendo que com sequelas ou não, Deus nos colocou a prova muitas vezes, e que o nosso espírito lutou bravamente e chegou à conclusão de que é melhor esquecer a guerra dos outros e ser a própria paz.

De quantos náufragos nos salvamos. Quem já perdoamos. Quantas vezes perdemos a respiração num momento de entrega e paixão.

Quem ficou ao nosso lado, quem se foi.

Vez em quando é normal e necessário fecharmos a porta por um tempo e colocarmos a placa de “Do Not Disturb” em nosso coração.

Não precisamos de meias palavras, meio amor, meio quase ou meio talvez.

Toda inteireza é bem-vinda.

Não precisamos de exibicionistas. Não precisamos de quem nada faria por nós mesmo que pudessem.

Precisamos de atitudes sinceras e gente de alma bonita. Precisamos sentir que somos amados através de um sorriso, um carinho, um Eu te amo que saia de dentro do coração.

A vida é assim. São fases, são tempos, são coisas que muitas vezes não conseguimos fugir.

São coisas tão intensas e mágicas que não gostaríamos que terminassem.

Se tudo fosse fácil e simples com certeza não haveria aprendizado.

A vida vem e mostra a cartilha. Estuda quem quer, aprende quem precisa.

Cada passo dado em direção a nós mesmos é sinônimo de autocura. 

Devemos deixar bilhetes espalhados pelo caminho, devemos dizer que vai ficar tudo bem.

A vida nem sempre se apiedará de nós; lutaremos bravamente ou desistiremos.

Todo trajeto possui seu obstáculo, todo espaço aberto pode ser preenchido por qualquer coisa que queremos atrair para nossa vida.

Certo ou errado, seremos testados e muitas vezes julgados; seremos jogados na arena juntos aos leões.

Que a gente consiga sobreviver, que a gente consiga se desvendar e afastar todo mal que por vezes nos ronda.

Não podemos desistir de nós mesmos.

Vamos até o fim dessa estrada com esperança nos olhos.

Sejamos superação!


Sil Guidorizzi