sexta-feira, 29 de maio de 2020

Somos o que precisamos..



Deus está presente em cada íntimo em cada batalha em cada grito de vida, cada reluzir da manhã.

Está presente em cada espaço onde o coração caminha, onde a alma sente, onde a vida traz a cada uma sua missão.

Fomos escolhidos, estamos sendo treinados, estamos sendo constantemente vigiados.

Deus, sente nossos passos, nossas euforias, nosso cadenciar, nossos olhos que buscam por aquilo que um dia também já se foi, por aquilo que prevalece em nós como eterno, como único.

Deus atua em cada ser feito lenitivo, feito carinho que acomoda todas as incertezas e medos, nossos meios por vezes injustificáveis de agir, nossos instantes de joelhos e perdão.

As vezes só precisamos de uma palavra amiga, de um segundo dentro de um abraço que nos separa das fronteiras da dor.

Deus é esse ser iluminado cuja benfeitoria acalenta tantos espíritos, cuja prece nos eleva e nos leva para algo maior e superior cuidando das nossas feridas.

Somos rasgados, somos julgados somos despejados por vezes em lugares estranhos e desconhecidos.

Deus com sua sustentabilidade, seu suporte espiritual, seu aconchego, seu olhar voltado ao amor, nos leva pelas mãos quando precisamos nos conduzir, quando não sentimos mais nossos pés cansados, quando nos deixamos pra não querer continuar, quando refazemos nossos caminhos com medo de tentar novamente, quando nos isolamos por estarmos cansados dos golpes, das mentiras, das falsidades, da falta de respeito e de compreensão.

Mas nenhum dia pode ficar sem a nossa presença. Ela tem de ser física, tem de ser alma, tem de ser algo além da matéria.

Só quem sente o fracasso depois de beijar o chão é que compreende que a vida é o certo e o errado, é o engano, a ilusão, a conscientização que daremos tiro n’água, que desistiremos, que iremos para frente feito leões que precisam rugir.

Deus, além de ouvir nossas preces, nos ensina, nos coloca aonde devemos estar, aonde devemos persistir, aonde nossos emblemáticos sentimentos devem ser desvencilhados através do que criamos em nós.

Deus caminha lado a lado e nos levanta diante dos tropeços, nos mostra que nem sempre a queda de braço é algo útil e que cantar vitória antes da hora é só o aviso de que poderemos nos machucar.

Precisamos crescer ao invés de nos acharmos os melhores.

Corajoso é quem se junta mesmo sido quebrado, inteligente é quem consegue ouvir e aprender com aquilo que serve como ensinamento. Sábio é quem se dá outra chance mesmo depois de ter recolhido tantos cacos à própria volta.

Deus só quer de nós, que nós consigamos acalmar nossas tempestades, quer que nós consigamos estabelecer um diálogo mais profundo com a nossa essência humana.

Nem sempre deixamos os pratos limpos, nem sempre dizemos o que sentimos; por vezes deixamos que pessoas nos maltratem sem que possamos reagir.

Deus quer que sejamos fiéis aos nossos princípios sem que para isso passem por cima de nós.

Precisamos demarcar nosso espaço sem que ele seja invadido, pisado, destruído.

Cuidemos mais de nosso espírito, da nossa casa, das nossas sensações sem que cortem nossas asas, sem que nos joguem no abismo.

Somos o que precisamos.

ELE sempre estará no meio de nós!


Sil Guidorizzi










quarta-feira, 27 de maio de 2020

Cada um, precisa trilhar e viver a sua história.





De tudo que tenho aprendido, acho que a libertação tem sido o primordial, tem sido a parte mais desafiadora e necessária.

Pois foi em partes que eu me vi, foi me juntando que encontrei mais de mim.

De tudo que tenho renovado, reciclado e entregue à Deus, aprendi.

Aprendi com minha teimosia, com minhas infantilidades, com meus defeitos, com aquele monte de coisa que eu achava que era certo, e, na verdade, era só parte da lição que precisei aprender para amadurecer.

Não é fácil assumir tudo, assumir a totalidade do que engasga, do que cansa, do que se mistura entre os pensamentos de alegria ou de dor.

Não é tão simples cavar o fundo do poço pra depois voltar à tona, buscar à vida, buscar coisas que foram abandonadas pelas esquinas do coração, pelas adversidades, pela falta de cuidado emocional.

Em qualquer entardecer, em qualquer anoitecer, ou em qualquer amanhecer digno, repito feito mantra que minha paz é absoluta dentro do meu firmamento, repito e afasto qualquer pensamento que possa me nivelar à infelicidade de alguém que não me queira bem.

Eu cresço, através do que projeto, do que descanso, do que descarto como negativo.

Não aceito o pacote dos outros e não pretendo me afundar em navios naufragados pelo descaso dos seus comandantes.

Cada um, precisa trilhar e viver a sua história.

Não vivo dentro de uma inveja sabotadora e nem faço questão de cruzar pelos caminhos sem que eu mesma seja algo de bom para mim.

Não penso em metas, penso em soluções, não penso em complicar mais; penso em centralizar o que já noto como essencial.

De tudo que tenho conciliado, há uma grande luta, há a necessidade de ser reflexo, de ser mais gente, de ser mais humana, de ser suficiente para quem precisar de mim.

Às coisas mudam, mudam conforme minhas aceitações, meu agradecimento, minha certeza de que nada é certo, mas que eu consegui repaginar minha história.

De forma mais simples e objetiva eu retomei ao que é natural.

O ar que respiro, à beleza de um pequeno instante, o altruísmo, a generosidade que não deve se ausentar, o respeito pelo próximo, o dizer não, o dizer sim, o habitual para me sentir menos endividada com a alma, com a consciência.

Quem muito se guerreia, não sente as boas intenções que também se instalam nos dias.

Gosto dessa coragem meio rebelde, que também não vive disfarçada ou com medo do inimigo.

Eu não preciso de inimigos; preciso contemplar minha existência, sem celas, sem prisões, sem vingança.

Apesar de tudo, a fé ainda continua sendo minha arma contra tudo que queira me derrubar.

Eu já me aceitei como sou. 

Deus é parceria na saúde e na doença, na alegria e na tristeza.

Não me sinto só!



Sil Guidorizzi





sexta-feira, 8 de maio de 2020

Os pés estão soltos..




Revirando minhas coisas senti algo diferente.

Os pés descalços, o coração esbarrando na janela, e a sensação de que preciso voltar pra me corresponder, me trouxe pra perto.

Faz tempo que não sinto os pingos da chuva, faz tempo que já deixei pra lá. Faz tempo que parei de me incomodar.

A tranquilidade que estampo depois do silêncio quase meditativo que me ensinou a não me envolver dentro daquilo que rói ou corrompe meus sentimentos, me trouxe a tona.

Às vezes, quando entardeço, sinto que Deus está em algum lugar tratando de todas as coisas que passam aqui dentro e se distribuem lá fora como ventania ou recolhimento.

Os pés estão soltos, coisas se misturam ao tempo. Vejo a estrada que devo seguir sem tanto peso.

O piso de madeira claro, a sala arejada, as coisas enfileiradas esperando que eu as ajuste, o relógio que agora parece manter o mesmo horário, roubam um pouco da cena do cotidiano que não vejo, mas que daqui de cima se tornam agora menos essenciais.

Estou em meu estado de direito, sem intervenções, sem parecer uma colegial que ainda não sabe o que quer pra vida, sem parecer insolente ou cheia de rebeldia.

Nada me tortura mais do que a angústia de não poder acontecer.

É por isso que decidi me confessar como quem se tranca no próprio interior pra receber a penitência que acho que mereço.

Sei que segredos se acumulam em muitos corações que um dia passaram pelo legado do aprendizado, do sofrimento, do amor e da dor; sei que nada sei.

Deus é meu condutor, é minha voltagem de energia e luz. É a voz que me diz exatamente o que preciso fazer.

Tive sorte de conseguir sustentar o que ainda não morreu porque não matei, porque não vou deixar sair, porque faz parte do cadenciar das emoções, dos erros e acertos.

Vejo prédios eretos, cores desbotadas, palidez em almas sem acesso e sem perdão.

Vejo muros erguidos, palavras que ferem e vozes que não sabem se ouvir.

Quanto desespero, quanto destempero.

Luz pra quem precisa de paz para as próprias guerras e tempo pra quem precisa salvar o que parece perdido.

Estou na minha luta e não ligo pra nada que queira me desestruturar.

Só eu sei as coisas que vivi.


Sil Guidorizzi