sábado, 22 de agosto de 2020

Nada é dela, nada lhe pertence.




 
Foi quando ela respirou fundo, firmou o pensamento em tudo que era preciso agradecer e sentiu certo alívio no peito.

Era o coração se aproximando ainda mais de Deus.

Que transição era aquela, que dia era aquele, que pensamento havia tocado seu agora.

Foi quando ela se repetiu algumas frases, consolidou o firmamento em algo mais sagrado e poderoso.

Ela cumpriu o dever de casa, apagou algumas coisas, refez novamente o trajeto do seu destino mesmo sabendo que tudo poderia mudar em um segundo.

Ela aprendeu, desprendeu, descobriu que ainda sabe o que faz, que Deus toma conta, que o ar da manhã pode ser revelador.

Ela destrancou a porta, abriu a janela, sentiu algo além dela tocar os poros da alma.

Havia uma névoa úmida molhando as beiradas da vida, mas ela sabia como continuar, sabia como reacender seu espírito desejoso de luz.

Sem pressa, sem julgamento, sem ser vencedora ou perdedora, havia apenas a missão a que ela se destinou.

E ela se sentiu melhor assim, se sentiu mais capacitada, se sentiu mais ativa e menos envergonhada, menos impiedosa de si mesma.

Nada é dela, nada lhe pertence.

Dentro da capacidade de revelação interior, ela afastou àquilo que encobria seu ser.

Ela tem feito sua parte, tem sido grata, tem sido útil.

Foi quando ela redescobriu um mundo diferente, conheceu pausas, viveu silêncios mais profundos e reveladores.

Cabe a ela, se manter dentro desta frequência espiritual, alavancando o coração para chegar até a mais liberta conexão de paz interior.

Ela sabe, ela pretende seguir esses fundamentos, esse estímulo de algo superior que lhe dá a vivência que precisa.

Gostem, ou não.



Sil Guidorizzi

Imagem de 원규 이 por Pixabay



quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Minha alma não tem idade; tem a gratidão por cada livramento que recebeu.

 
A maturidade me ensinou a trocar o sapato gasto; a deixar à vida em pratos mais limpos.
 
Me mostrou que não preciso viver atrás de ninguém, que não preciso de coisas que não são essenciais, e que, ter a minha própria companhia, é coração de quem já se adaptou ao que precisa, sem fazer drama, sem esperar nada de ninguém.
 
A maturidade fez o coração deixar de ser usado, manipulado; me fez crescer por dentro apesar dos remendos.
 
Nem tudo se salvou, nem tudo agradou; nem tudo foi amor. 
 
A maturidade mostrou que aquele pra sempre mudou o caminho, e que, já não é tão interessante viver à sombra de ninguém.
 
Palmas pra mim, que cortei tantos males pela raiz, que não tive medo de bater de frente com as controvérsias do tempo, que freei o sentimento destrutivo de gente sem respeito.
 
Me quebrei, me refiz, me perdoei.
 
A casa mais silenciosa, o saber de Deus, a cura emocional, a desistência do que não faz bem.
 
É maturidade, sim.
 
Valeu à pena crescer, valeu lutar pelo meu espaço, valeu cada aprendizado.
 
Minha alma não tem idade; tem a gratidão por cada livramento que recebeu; tem espaço pra ser.

Não sinto inveja, não tenho nada contra ninguém.

A única coisa que peço dentro de mim, é luz pra acender o espírito, perdão para minhas faltas.

A maturidade trouxe sequelas e descobrimentos.

É maturidade consciente, é maturidade de quem já tombou e levantou.

Mesmo assim, agradeço. Agradeço por tudo.
 
Assim seja, graças a Deus!
 

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Às vezes também me sinto criança carregando o que é essencial e significativo.


Eu não odeio ninguém; mas também não quero mais ser escrava de nenhuma vontade, de gente que não sabe o que quer, de gente que mal chegou e já quis sair, de lugares que só me fazem mal.

Nem sempre é fácil acordar e dar aquele tapa na alma dizendo: vai pra vida e faça o que for melhor, faça por você, pare de se ausentar de si mesmo, pare de se sentir desprotegido e desamparado, pare de achar, de imaginar, pare de se manipular emocionalmente buscando desculpas pro que você ainda nem tentou.

Eu não estou aqui pra ser referência e nem diferencial porque minha trajetória também foi de muito aprendizado e amadurecimento, foi de dor e alegria, foi algo intransferível e pessoal.


Mas eu não me seguro mais em beiradas prontas a me soltar, nem espero que me digam que sou necessária na vida de alguém.


O tempo entre suas costuras, mostra que nada é nosso e que não há maneira melhor de viver do que ir se perdoando ao longo do caminho e perdoando todos aqueles que já não seguem junto.


Hoje ao seguir no meu passo, sem esperar nada de ninguém, me despeço de tudo que não é meu.


Eu não acho que seja egoísmo, me amar ao invés de ser tratada com indiferença, eu acho que não é nada ofensivo querer sentir o gosto da minha vida transbordando dentro de mim.


Eu não me sinto prejudicada, mal-amada, menos intensa.


Cada um recebe o que merece, cada um tem o que precisa.


Só que ao passar para dentro da minha casa, exijo respeito, exijo diálogo e transparência.


Verdades doem, mentiras ocultas só dificultam o lugar de cada um.


Deve ser por isso que meu espaço anda livre, desimpedido.


Não preciso estar atrelada ou dependente emocionalmente.


Faço de mim, o que quiser, sem ter que dar satisfações a ninguém.


Sei onde a vida apertou mais forte, sei onde cicatrizei.


Estou cuidando daquilo que com suor construí.


Às vezes também me sinto criança carregando o que é essencial e significativo.


Nem tudo precisa ir comigo. A estrada da vida, é assim.


Sil Guidorizzi

Imagem de lisa runnels por Pixabay

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

A intensidade do que buscamos está naquilo que energizamos no peito.





Somos partículas de vida.

E quando nos desligamos deste mundo, deixamos para trás nossas vaidades egos e todas as nossas vontades, todos os nossos planos, atitudes, sentimentos, tudo que colhemos em nosso caminho, tudo que deixamos passar sem termos coragem de segurar.

Somos transportados para um lugar de onde não existe materialidade, não existe o ser melhor, não há comparação com nada nem ninguém.

Somos essa efemeridade vestida nos dias, nos mostrando que daqui nada levamos, que aqui não seremos enraizados pelo tempo, que aqui somos apenas aprendizes em evolução.

Tempo, esse, que mostra muito bem como Deus age, por vezes surpreendendo, por vezes dando as cartas, por vezes dizendo: filho, calma, que vai ficar tudo bem.

Somos aqueles nós que demoramos a nos desfazer, aquela palavra que faltou dizer, aquele abraço que nunca chegou, aquela vontade louca de sair correndo pra encontrar a luz no infinito do nosso íntimo.

E a gente muitas vezes corre, foge, se esconde, e não tem coragem de se enfrentar como verdadeiros guerreiros, com medo das frustrações, das quedas, dos tombos, do medo de achar que nada poderá nos erguer.

Mas, nos erguemos aos trancos e barrancos, dentro do sinal de alerta que diz que se não nos cuidarmos, não estaremos mais em condições de tentar e que iremos vegetar como se nada mais existisse ou pudesse ser tocado e amado com nosso coração.

Somos o vacilo daquele sentimento que ficou muito tempo dentro daquele canto sem ser mexido, o olhar por vezes distraído sem saber o que perceber.

Não somos menos, não somos mais, não somos nada além do que experimentos de alma lutando por um lugar ao sol.

O que encerra muitas vezes em nós é o ciclo daquilo que não mais nos pertence.

A intensidade do que buscamos está naquilo que energizamos no peito.

Hoje pode haver um sorriso triste; amanhã pode acontecer o milagre que abrirá a janela da vida dentro do calor de um abrigo bom.

Somos essa extensão que se liga ao etéreo, aos reinícios, aos nossos fragmentos, aos nossos tão confusos e misturados pensamentos que dançam sobre nossas cabeças, esperando o momento certo de se consumirem.

O importante, acima de tudo, é crescer dentro da verticalidade que nos leva ao encontro de Deus, ao encontro da fé, ao encontro da esperança e da lucidez interior.

Daqui nada levamos. É mais um motivo pra gente parar de sentir superior, de se sentir dono da razão.

Dependendo do que fazemos, as coisas se tornam poeira em poucos segundos.

Não vamos nos destruir!

Sil Guidorizzi

Imagem de Jackson David por Pixabay

terça-feira, 11 de agosto de 2020

A gente por vezes se distrai, se esbarra em algo mais profundo, luta pra não deixar a peteca cair.



A gente quer tanto que as coisas deem certo, que ninguém se machuque, que ninguém passe pelo crivo da dor.

Mas a gente sabe que não possui o domínio da vida de ninguém, que Deus possui uma sala, um lugar específico para que cada um seja monitorado e assistido pelas coisas que deve passar.

A gente não quer se machucar, não quer sangrar de novo.

Mas tudo está dentro da gente; do que deixamos, do que perdoamos, do que não sintonizamos para não mais atrair.

A gente quer que as pessoas que a gente ama, sejam dignas, que consigam felicidade na vida, mesmo sabendo que a vida de gente grande é complicada, mas ao mesmo tempo, o espaço onde cada um tem de aprender.

A gente não quer se crucificar, não quer deixar de amar, não quer deixar de sentir e viver as coisas mais bonitas.


Mas a gente sabe que muitas vezes tudo dói, e que é preciso uma coragem necessária para desfazer os nós, para cicatrizar feridas e olhar pra frente com a alma voltada para o presente.


A gente por vezes se distrai, se esbarra em algo mais profundo, luta pra não deixar a peteca cair.


E ela também cai, assim como nosso humor muda, assim como deixamos escapar aquele dia de menos interesse por qualquer coisa, aquele dia que isolamos do mundo para sermos donos de nós mesmos.


A gente sabe que é passageiro, que calçar o sapato com pedra dentro dele, incomoda, que se posicionar diante das situações e abranger aquilo que merece ser prioridade, é conscientização do agora.


A gente não quer jogar fora as boas lembranças que ficam, os abraços que cuidaram, as palavras que nunca foram esquecidas e os gestos que roubaram nosso coração por tempo indefinido.


A gente sabe que acordar e agradecer é honestidade para que a gente mentalize sorte, paz, prosperidade e amadurecimento.


E cada pedaço do que atravessamos, cada instante que nos frustramos, cada instante que conseguimos algo com nosso suor é a vida mostrando que não dá pra parar, não dá pra deixar, não pra se desmerecer.


A gente por vezes quer só sentir que há pele com pele, alma com alma, vida sintonizando na mesma estação da gente.

E nessas viagens onde tudo é adequado ao nosso presente, onde coisas se alinhavam, coisas se soltam, coisas se libertam, é que vamos plantando nosso caminho.


A gente sabe que não é fácil, mas é preciso continuar.


A gente precisa dessa luz interior circulando dentro da gente.


Sil Guidorizzi


Imagem de Gisela Merkuur por Pixabay

Há muito a fazer, há muito a oferecer, há muito a se perceber.




A vida é se colocar no lugar do outro; é oferecer um gesto de carinho.

Ela não deve ser transformada em um lugar sem luz, sem alegria, sem motivos pra se viver.

Tudo que podemos oferecer, tudo que podemos melhorar, cuidará para que nosso coração não seja vencido pela indiferença ou pela desconexão do que para nós é importante.

Há muito a fazer, há muito a oferecer, há muito a se perceber.

É questão de olhar, sentir, captar e agradecer pela presença de Deus em nossas vidas.

Com o caminho mais aberto, com a mente mais quieta, com a alma mais em paz, vamos nos livrando de todos os redemoinhos que nos distanciam de nós mesmos.

A vida é esse instante em que o olhar se abre, as coisas acontecem, e o tempo ajuda a esclarecer tudo que for necessário.

Sejamos laço ao invés de vivermos atirando pedras.

Que cada um viva a sua vida, e que nós possamos viver a nossa com a mentalidade de que tudo é passageiro.

Na próxima estação, na próxima paisagem, na própria interiorização pessoal, que possamos carregar o necessário dentro da gente.

A vida não vem com manual de instrução, mas também não dá ponto sem nó.


Sil Guidorizzi
  

Imagem de silviarita por Pixabay