Foi quando Deus me disse: Filha, a cura pra tudo está em trabalhar, ajudar-se e perseverar. Está em espalhar gratidão e gentileza. Está em (re)aprender um pouco a cada dia. Está em subir um degrau a mais na evolução espiritual. Está onde você quiser fincar sua raiz. Onde você conseguir florir e espalhar um bom perfume. Observe o tempo, o que fez dele. Veja as suas rotas; quantas portas se fecharam, quantas se abriram prum novo amanhecer. Não espere milagres vindos do céu. Espere apenas a proteção divina e a certeza de que somente você poderá fazer uma nova estória. Somente você tem as rédeas do seu destino. Não espere que vivam por você. É hora de calçar as sapatilhas da vida e fazer bonito..
Foi aprendendo a silenciar e a ouvir mais a voz interior, que o coração aprendeu a não revidar, a não perder a elegância. Ele sabe que as Leis de Deus valem em qualquer lugar.
Construí meus castelos sem portas e janelas, só pra poder flutuar diante do desconhecido. Gosto do ar que chega e invade a alma. As tristezas são temporárias, as dores também.. Foi assim que aprendi a dar passagem pra vida. Hoje não coleciono metades. Felicidade é o que me convém..
Gosto de Norah Jones. Gosto de caminhar sem pressa. Não gosto de rótulos ou promessas demais.
Tenho os pés no chão, o olhar que voa mais rápido que a velocidade da luz.
Não disfarço sentimentos. Não costumo jogá-los de bate pronto na lata do lixo. Primeiro reciclo, separo. Dou um fim naquilo que não me apetece, me entristece.
Já sofri demais. Amei demais. Atravessei pontes, pulei barreiras. Já dormi ao relento esperando o amanhecer chegar.
Mudei a mobília de lugar. Tentei preencher espaços que não precisavam ser preenchidos. Mania de achar que sempre falta alguma coisa. Mania de achar que não dá pra sentir o vazio.
Já mexi nos livros. Nas gavetas. Já procurei rasgar velhos bilhetes de viagens, mas não consegui apagar a memória fotográfica, os sorrisos, as declarações ao pé do ouvido.
Já andei pela casa mil vezes, sem saber pra onde ir ou muito menos pra onde gostaria de chegar.
Ainda tenho alguns resquícios na pele, na alma.
Ainda faço alguns curativos. São poucas as sequelas. São tantos desvarios. Já não me incomodo tanto. Arrumo meu canto, meu quarto, minha cozinha.
Ligo o som alto, e canto aquela canção que toca na rádio. Aquela que emociona por dentro.
Quem sou eu no meu agora. Tem um jardim lá fora que gosto de cuidar. Tem uma árvore que plantei e dia após dia passo pra admirar. Tem o Livro que escrevi pra me continuar.
Gosto de sentir paz. Já vivi numa guerra fria. Guerra de nervos. Guerra sem trégua. Até que finalmente dei um fim..
Hoje, saboreio meu café, ando descalça, faço o que bem entender de mim.. Estou dando conta do recado. Não estou me sentindo ilhada, acuada, desrespeitada.
Tenho fé que as coisas se ajeitam. Já remexeram demais na minha estrutura. Em pé quero ficar pra prosseguir..
As melhores coisas estão dentro de nós mesmos. O que vibra em nós é o que a vida nos pede. Um sorriso é prece. Um olhar de reciprocidade é luz. A vida é um campo aberto. É terra fértil pronta pra plantar e colher.
É o que retiramos de nós mesmos e doamos a quem precisar receber..
tenho um coração
que gosta de viver. Independente do que a vida me reserva, eu creio nessa força que me atiça e me leva pra lugares mais próximos, mais distantes.. Pra lugares indescritíveis. Lugares, esses, que eu imagino que existam. Lugares que cabem dentro da alma, dentro do imaginário, dentro da realidade. Sou o avesso das coisas que não entendem o meu sentir... Me torno rebelde quando o assunto é minha felicidade.
Perdoe se sou falha e (im)perfeita. Se não caminhei o suficiente para tudo entender. Perdoe se o coração transborda e quer amor. Perdoe se ainda faço questão do bem querer. Perdoe se ainda fraquejo, se ainda escrevo no peito palavras bonitas feito rosa em botão. Perdoe as minhas manias, meu lado meio estranho. Minhas sensações e intuições; imperceptíveis a olho nu.
Perdoe as páginas que rasguei. As coisas que grafei em tom mais escuro pra que pudesse (re)lembrar por onde me deixei. Perdoe por ser assim. Liberta de tanta coisa e acorrentada a saudades extremas. Perdoe se o coração lateja, vibra e pede felicidade. Perdoe, assim como eu perdoo a maldade alheia, a falta de compostura, os abandonos pelo caminho. Os dias mais frios. Não me deixei sozinha. Não me deixei a própria sorte. Tenho Deus, tenho um norte, um sul. Tenho o sol que queima. Tenho a lua cheia. Perdoe se muitas vezes não caibo nem em mim. Sil Guidorizzi
Deus nunca vai embora. Ele sempre fica sem precisar de motivos. Ele não me questiona, não cobra. Por isso minha confiança Nele. Ele nunca esvazia o coração..
Às vezes acendo um incenso pra purificar o espírito e clarear as ideias. Sinto-me dentro de um velho folhetim. Saio em busca de notícias e penduro no varal da alma o que a vida me deu de bom. Às vezes me sinto melhor quando os pés andam descalços. Quando as ruas já não estão tão cheias. Quando o entardecer vai se deitando devagar alimentando meu anoitecer. Quando tudo o que preciso é de tempo pra caminhar em paz sem que me persigam, gritem meu nome, ou atrapalhem meu silêncio. Na verdade só quero ir pra onde o coração pedir. Ainda estou aprendendo a entender esse lado meio (in)consequente e ao mesmo tempo exigente. Algumas coisas continuam dormentes. Outras, formigam o tempo todo dentro de mim.