Vou indo.. Carregando minhas flores, torcendo para que as pessoas se humanizem. Torcendo pra que eu me esbarre em olhares mais férteis e receptivos.. Vou indo.. Sem criar muita expectativa, fazendo das minhas orações auxílio. Fazendo do meu caminhar, destino. Torço para que a fé que move montanhas, afaste de mim qualquer perigo. Por hora estou sem pressa. Tenho estado mais em paz. Deus está comigo.
Tenho pensamentos secretos. Modos discretos. Tenho sensações que ninguém nunca viu. Faltou tato, faltou jeito, faltou completude pra que pudesse relaxar e deixar vir.
Tenho passagem pra vida. Bilhete nas mãos. Tenho mania de conversar com a lua, misturar cores e pensar na próximo sonho e desejo.
Já deleguei a mim o que precisava mudar, o que deveria esquecer e o que jamais deveria pisar no portão da minha casa novamente. Já retirei as ervas daninhas do meu jardim, já comi grama, ralei os joelhos. Não guardo rancor na alma. Não guardo nada. As lembranças que tenho são minhas e de mais ninguém. Ainda hoje guardo coisas que nunca contei. Imagens que nunca esqueci. Sentimentos tortos que nunca se endireitaram dentro de mim. Agora me ajoelho apenas diante do amor que sinto por mim, por Deus. Diante da gandiosidade e beleza de cada minuto merecido. Busquei-me, me trouxe de volta. Hoje na mente silenciosa e inquieta, balanço, flutuo, vejo. Esse é meu jeito. Dói as vezes. Agora, mais estranho seria se eu não conseguisse me (re)erguer. Mais estranho seria se eu não emergisse de dentro pra fora. Como quem adormece dentro da caixa, sem querer nunca mais sair..
Foi quando Deus me disse: Filha, a cura pra tudo está em trabalhar, ajudar-se e perseverar. Está em espalhar gratidão e gentileza. Está em (re)aprender um pouco a cada dia. Está em subir um degrau a mais na evolução espiritual. Está onde você quiser fincar sua raiz. Onde você conseguir florir e espalhar um bom perfume. Observe o tempo, o que fez dele. Veja as suas rotas; quantas portas se fecharam, quantas se abriram prum novo amanhecer. Não espere milagres vindos do céu. Espere apenas a proteção divina e a certeza de que somente você poderá fazer uma nova estória. Somente você tem as rédeas do seu destino. Não espere que vivam por você. É hora de calçar as sapatilhas da vida e fazer bonito..
Foi aprendendo a silenciar e a ouvir mais a voz interior, que o coração aprendeu a não revidar, a não perder a elegância. Ele sabe que as Leis de Deus valem em qualquer lugar.
Construí meus castelos sem portas e janelas, só pra poder flutuar diante do desconhecido. Gosto do ar que chega e invade a alma. As tristezas são temporárias, as dores também.. Foi assim que aprendi a dar passagem pra vida. Hoje não coleciono metades. Felicidade é o que me convém..
Gosto de Norah Jones. Gosto de caminhar sem pressa. Não gosto de rótulos ou promessas demais.
Tenho os pés no chão, o olhar que voa mais rápido que a velocidade da luz.
Não disfarço sentimentos. Não costumo jogá-los de bate pronto na lata do lixo. Primeiro reciclo, separo. Dou um fim naquilo que não me apetece, me entristece.
Já sofri demais. Amei demais. Atravessei pontes, pulei barreiras. Já dormi ao relento esperando o amanhecer chegar.
Mudei a mobília de lugar. Tentei preencher espaços que não precisavam ser preenchidos. Mania de achar que sempre falta alguma coisa. Mania de achar que não dá pra sentir o vazio.
Já mexi nos livros. Nas gavetas. Já procurei rasgar velhos bilhetes de viagens, mas não consegui apagar a memória fotográfica, os sorrisos, as declarações ao pé do ouvido.
Já andei pela casa mil vezes, sem saber pra onde ir ou muito menos pra onde gostaria de chegar.
Ainda tenho alguns resquícios na pele, na alma.
Ainda faço alguns curativos. São poucas as sequelas. São tantos desvarios. Já não me incomodo tanto. Arrumo meu canto, meu quarto, minha cozinha.
Ligo o som alto, e canto aquela canção que toca na rádio. Aquela que emociona por dentro.
Quem sou eu no meu agora. Tem um jardim lá fora que gosto de cuidar. Tem uma árvore que plantei e dia após dia passo pra admirar. Tem o Livro que escrevi pra me continuar.
Gosto de sentir paz. Já vivi numa guerra fria. Guerra de nervos. Guerra sem trégua. Até que finalmente dei um fim..
Hoje, saboreio meu café, ando descalça, faço o que bem entender de mim.. Estou dando conta do recado. Não estou me sentindo ilhada, acuada, desrespeitada.
Tenho fé que as coisas se ajeitam. Já remexeram demais na minha estrutura. Em pé quero ficar pra prosseguir..
As melhores coisas estão dentro de nós mesmos. O que vibra em nós é o que a vida nos pede. Um sorriso é prece. Um olhar de reciprocidade é luz. A vida é um campo aberto. É terra fértil pronta pra plantar e colher.
É o que retiramos de nós mesmos e doamos a quem precisar receber..
tenho um coração
que gosta de viver. Independente do que a vida me reserva, eu creio nessa força que me atiça e me leva pra lugares mais próximos, mais distantes.. Pra lugares indescritíveis. Lugares, esses, que eu imagino que existam. Lugares que cabem dentro da alma, dentro do imaginário, dentro da realidade. Sou o avesso das coisas que não entendem o meu sentir... Me torno rebelde quando o assunto é minha felicidade.
Perdoe se sou falha e (im)perfeita. Se não caminhei o suficiente para tudo entender. Perdoe se o coração transborda e quer amor. Perdoe se ainda faço questão do bem querer. Perdoe se ainda fraquejo, se ainda escrevo no peito palavras bonitas feito rosa em botão. Perdoe as minhas manias, meu lado meio estranho. Minhas sensações e intuições; imperceptíveis a olho nu.
Perdoe as páginas que rasguei. As coisas que grafei em tom mais escuro pra que pudesse (re)lembrar por onde me deixei. Perdoe por ser assim. Liberta de tanta coisa e acorrentada a saudades extremas. Perdoe se o coração lateja, vibra e pede felicidade. Perdoe, assim como eu perdoo a maldade alheia, a falta de compostura, os abandonos pelo caminho. Os dias mais frios. Não me deixei sozinha. Não me deixei a própria sorte. Tenho Deus, tenho um norte, um sul. Tenho o sol que queima. Tenho a lua cheia. Perdoe se muitas vezes não caibo nem em mim. Sil Guidorizzi