domingo, 2 de agosto de 2020

Que a generosidade dos dias se esbarre em mim!




Eu já não sofro mais com os desfeitos da vida, eu não reparo mais naquele canto que um dia esteve cheio de dor, eu não transito em círculos dentro do mesmo espaço sem saber onde está a porta de saída, sem saber o que coloco no lugar.

Nem tudo precisa ser preenchido; nem tudo precisa ser substituído; nem tudo precisa ser compreendido.

As paredes pedem uma pintura nova, o chão que piso ainda não estragou.

Ando pela sala, olho da janela, vejo que lá fora algo me pede e eu sem hesitar respondo com uma prece, agradecendo a Deus por me conceder mais um dia.

Sinto falta de alguns rostos, sinto falta de pequenos afetos que foram levados pela distância do tempo. 

Mas eu também não me ajusto mais as regras de ninguém.

Quem segue confiante, vivendo intensamente seus dias, aprende a também soltar as amarras do tempo, aprende que chorar também é libertador, que dizer mentalmente que não dá mais é exercício de respeito por si mesmo.

Olhar pra frente, erguer os braços, sentir a brisa da vida tocando o espírito, é renovação de momento.

Eu já não reparo mais no que as pessoas dizem, no que as pessoas insinuam, no que as pessoas demonstram não ser, porque eu sei onde cabe o fingimento.

Minha memória menos congestionada – essa sensação de menos idolatria por gente que não merece, essa convicção de que já estou bem crescidinha e que não vivo da opinião alheia, só me trouxe mais coragem pra ser.

Eu já não ligo pra isso, para aquilo, para o que dizem pelas costas.

Todo mundo tem coisas guardadas a sete chaves, todo mundo um dia já se machucou; ninguém é perfeito.

Eu não me comparo a ninguém, eu não mensuro a dor dos outros, eu não sou forte o tempo todo.

Não quero ser triste dentro de tantas possibilidades e oportunidades que batem à minha porta, não quero ser fraca ao ponto de não tentar de novo.

Quero combater as coisas que ainda me deixam na corda bamba, as coisas que tentam me sabotar.

Dispenso muita coisa, aceito outras, troco uma conversa solta com quem realmente gosta de ouvir.

Só não passo meus dias lamentando, criando monstros imaginários, idealizando coisas que já foram deixadas pra trás e se tornaram claras como a luz do sol.

Deus é presente, o que sou, é problema meu.

Enquanto alguns passam parte do seu tempo cuidando da vida alheia, a vida vai passando sem que elas se encontrem.

Meu mundo é pequeno, simples, mas é o que tenho.

Ontem, foi ontem. 

Que a generosidade dos dias se esbarre em mim.

Sil Guidorizzi



 Imagem de xxolaxx por Pixabay



sábado, 1 de agosto de 2020

Um dia de luz na alma, é cura pra mim!




Acho que agora não é amor. Acho que agora é só desapego. Desapego do que um dia eu achei que fosse algo bom.

Acho que não é mais nada além de uma passagem na memória, do que um rascunho que apaguei.

Não me sinto culpada por isso, não me sinto como se tivesse sido crucificada por um dia querer demais.

A vida, é uma rota de fuga, é um caminho onde o coração vai aprendendo a esquecer, vai aprendendo a se reeducar com mais cuidado e percepção interior.

E ele, na verdade, não precisa sobreviver de sobras, não precisa se esconder por medo da verdade.

Acho que não é fracasso e nem sensação de que já foi.

É só o jeito meio torto de olhar pela janela do tempo e perceber que eu não cabia mais ali.

Na verdade eu fui a juventude de quem um dia sonhou livre.

E, se eu voltei pra falar disso, é porque eu consegui desatar o que me prendia a esse excesso de tudo que me segurou.

Às vezes é preciso aprender a limpar o que está intoxicando a alma, para que coisas se abram.

Não é tristeza, nem dor, nem mágoa.

É coragem mesmo, coragem de não ser mais a mesma depois de tanto tempo.

E o tempo além de ensinar a criar raízes, ensina o tempo de poda, ensina o que realmente importa.

Deve ser por isso que não me incomodo mais, deve ser por isso que não me justifico e nem me explico.

O que eu cativo eu não desfaço como um doce que enjoei, o que realmente me aprofunda não vai pro raso ou para qualquer esgoto da vida.

Prefiro outro Norte, do que achar que não sou mais eu.

Sem promessa, sigo pela estrada que escolhi.

Nem tarde, nem adiantada, apenas no tempo certo.

E quando a gente se deixa em paz, longe do que machuca, há o tempo de cura e renovação do espírito.

Um dia de luz na alma, é cura pra mim.


Sil Guidorizzi




 Imagem de Free-Photos por Pixabay

sexta-feira, 31 de julho de 2020

Libere a energia do amor..



Ter paz significa coração mais sereno, mente mais calma; espaço menos ocupado por tempestades ansiosas, por sentimentos descarrilados, e coisas negativas no peito.

O pensamento positivo, adianta o estado natural da felicidade, afasta as tristezas do caminho, dá espaço para você agir com mais serenidade e confiança.

A gratidão é como conciliar tudo o que Deus retribuiu à você em sinal de merecimento, em sinal de fortalecimento, em sinal de cura, em sinal de que, você não está só, e que, sempre haverá algo além de você para lhe enviar o bem e a proteção que precisa.

Estar consigo mesmo, aquietar palavras, ouvir-se, trabalhar a respiração, oferecer-se saúde mental e física; saúde para todos os pontos do seu espírito, é renovação, é menos exagero, menos desespero, menos sensação de que estão tomando conta da sua vida e do que você precisa viver.

Tome posse de você, tome posse de todas as coisas que deixam seu ar mais leve, que deixam que você siga por onde quiser sem ser prensado em uma parede.

Libere a energia do amor, libere a energia da conexão espiritual, do sagrado, do que lhe aproxima do bem-estar.

Não deixe que o tempo te esqueça, não deixe que a porta emperre e que você não consiga sair de dentro.

Se um dia você pisou em algum campo minado, se você se escondeu em alguma trincheira, se você realmente se machucou ao ponto de não querer mais a luz do sol, perdoe. 

Perdoe, de verdade, tudo que estiver lhe levando para esse lugar carregado de mágoa e dor.

Sua mente tem a capacidade de escolha, seu coração tem capacidade de doação, tem a capacidade de encontrar o que for melhor, tem a capacidade de esquecer.

Cabe a você, cuidar das suas coisas; cabe a você cuidar do que precisa, cabe a você um novo período de reconstrução interior.

O acolhimento, o respeito, a generosidade consigo mesmo é o que você deve se oferecer sempre!

E, cada vez, que você consegue emanar esse encontro com seu eu, mais os dias vão ficando menos escassos de amor-próprio.

Treine sua mente, busque seu lugar ao sol sem ter que passar por cima de ninguém.

Tudo que for ruim, será afastado, tudo que você solicitar com sinceridade, com sua alma elevada, chegará até você.

Mas, continue avançando em sua prática da gratidão, da prece, da consciência plena.

Tudo chega na hora certa!

Mente tranquila, fé nos passos, e caminhos abertos, com certeza, farão um bem enorme a você.


Sil Guidorizzi 


Imagem de truthseeker08 por Pixabay