segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Não se deixe para depois.




Afaste-se de coisas e pessoas tóxicas, e sinta a diferença dentro de você.


Sua plantação interna já não será contaminada, seu coração sentirá o ar de liberdade e leveza, teu espírito já não sentirá o peso da tristeza, da condição de cárcere emocional, da masmorra em que você se colocou mesmo sem perceber.


Muita gente sabe manipular, sabe agradar, sabe envolver.


Afaste-se de gente que não quer saber de você, que apenas te quer quando precisa, que só te procura quando não há outra opção.


Afaste-se desse conjunto de coisas que não te trazem nada além de chateação, falta de amor e respeito.


Tudo que é oferecido com sinceridade, troca, tudo que vem sem que seja obrigado a nada, é passível de fazer a vida ser mais simples, mais justa, mais desobrigada.


Não complique; vá dentro de você e rompa com tudo que seja prejudicial ao seu organismo interior, ao seu corpo físico.


Não tente se amarrar a algo que já se soltou faz tempo; libere essa energia e siga sabendo que algo melhor pode vir até você.


Não espere compreensão o tempo todo e nem se ache a pessoa que mais sofre nessa vida. Você tem o poder do sim e do não.


Não se volte apenas à sua carga de coisas ruins. Abra com mais calma sua vida, seja mais ponderado, seja menos infectado por coisas nocivas.


Quando a mente transforma, quando a lucidez bate à porta é sinal de que você já está se deixando enxergar mais nitidamente.


Afaste-se de qualquer coisa que lhe pese os ombros, que lhe diga que não é assim como você imaginou.


Olhe-se no espelho e sinta o que vê. Não espere nada, não corra além da conta para não se decepcionar depois.


O que vem fácil, vai fácil.  


Nem tudo que reluz é ouro; nem tudo que você precisa está no outro.


Está naquilo que você aprendeu a cuidar com mais gentileza.


Transpire o que você tem de melhor e relaxe mais.


Não se deixe pra depois.


Sil Guidorizzi



Imagem de lisa runnels por Pixabay

domingo, 2 de agosto de 2020

Que a generosidade dos dias se esbarre em mim!




Eu já não sofro mais com os desfeitos da vida, eu não reparo mais naquele canto que um dia esteve cheio de dor, eu não transito em círculos dentro do mesmo espaço sem saber onde está a porta de saída, sem saber o que coloco no lugar.

Nem tudo precisa ser preenchido; nem tudo precisa ser substituído; nem tudo precisa ser compreendido.

As paredes pedem uma pintura nova, o chão que piso ainda não estragou.

Ando pela sala, olho da janela, vejo que lá fora algo me pede e eu sem hesitar respondo com uma prece, agradecendo a Deus por me conceder mais um dia.

Sinto falta de alguns rostos, sinto falta de pequenos afetos que foram levados pela distância do tempo. 

Mas eu também não me ajusto mais as regras de ninguém.

Quem segue confiante, vivendo intensamente seus dias, aprende a também soltar as amarras do tempo, aprende que chorar também é libertador, que dizer mentalmente que não dá mais é exercício de respeito por si mesmo.

Olhar pra frente, erguer os braços, sentir a brisa da vida tocando o espírito, é renovação de momento.

Eu já não reparo mais no que as pessoas dizem, no que as pessoas insinuam, no que as pessoas demonstram não ser, porque eu sei onde cabe o fingimento.

Minha memória menos congestionada – essa sensação de menos idolatria por gente que não merece, essa convicção de que já estou bem crescidinha e que não vivo da opinião alheia, só me trouxe mais coragem pra ser.

Eu já não ligo pra isso, para aquilo, para o que dizem pelas costas.

Todo mundo tem coisas guardadas a sete chaves, todo mundo um dia já se machucou; ninguém é perfeito.

Eu não me comparo a ninguém, eu não mensuro a dor dos outros, eu não sou forte o tempo todo.

Não quero ser triste dentro de tantas possibilidades e oportunidades que batem à minha porta, não quero ser fraca ao ponto de não tentar de novo.

Quero combater as coisas que ainda me deixam na corda bamba, as coisas que tentam me sabotar.

Dispenso muita coisa, aceito outras, troco uma conversa solta com quem realmente gosta de ouvir.

Só não passo meus dias lamentando, criando monstros imaginários, idealizando coisas que já foram deixadas pra trás e se tornaram claras como a luz do sol.

Deus é presente, o que sou, é problema meu.

Enquanto alguns passam parte do seu tempo cuidando da vida alheia, a vida vai passando sem que elas se encontrem.

Meu mundo é pequeno, simples, mas é o que tenho.

Ontem, foi ontem. 

Que a generosidade dos dias se esbarre em mim.

Sil Guidorizzi



 Imagem de xxolaxx por Pixabay



sábado, 1 de agosto de 2020

Um dia de luz na alma, é cura pra mim!




Acho que agora não é amor. Acho que agora é só desapego. Desapego do que um dia eu achei que fosse algo bom.

Acho que não é mais nada além de uma passagem na memória, do que um rascunho que apaguei.

Não me sinto culpada por isso, não me sinto como se tivesse sido crucificada por um dia querer demais.

A vida, é uma rota de fuga, é um caminho onde o coração vai aprendendo a esquecer, vai aprendendo a se reeducar com mais cuidado e percepção interior.

E ele, na verdade, não precisa sobreviver de sobras, não precisa se esconder por medo da verdade.

Acho que não é fracasso e nem sensação de que já foi.

É só o jeito meio torto de olhar pela janela do tempo e perceber que eu não cabia mais ali.

Na verdade eu fui a juventude de quem um dia sonhou livre.

E, se eu voltei pra falar disso, é porque eu consegui desatar o que me prendia a esse excesso de tudo que me segurou.

Às vezes é preciso aprender a limpar o que está intoxicando a alma, para que coisas se abram.

Não é tristeza, nem dor, nem mágoa.

É coragem mesmo, coragem de não ser mais a mesma depois de tanto tempo.

E o tempo além de ensinar a criar raízes, ensina o tempo de poda, ensina o que realmente importa.

Deve ser por isso que não me incomodo mais, deve ser por isso que não me justifico e nem me explico.

O que eu cativo eu não desfaço como um doce que enjoei, o que realmente me aprofunda não vai pro raso ou para qualquer esgoto da vida.

Prefiro outro Norte, do que achar que não sou mais eu.

Sem promessa, sigo pela estrada que escolhi.

Nem tarde, nem adiantada, apenas no tempo certo.

E quando a gente se deixa em paz, longe do que machuca, há o tempo de cura e renovação do espírito.

Um dia de luz na alma, é cura pra mim.


Sil Guidorizzi




 Imagem de Free-Photos por Pixabay