quarta-feira, 17 de novembro de 2021

Nada me sufoca mais do que o direito de não poder ir e vir.


Por: Sil Guidorizzi

Eu moro em frente a uma cafeteria e sorveteria. Bem na esquina de casa. É só atravessar e entrar.

Quantas e quantas vezes passo por ali, dou uma espiadinha e não entro. Da varanda do apto vejo o burburinho de gente entrando e saindo, pessoas conversando, famílias, filhos, gente que só quer se distrair um pouco e conversar.

É na porta de casa e parece que eu não tenho tempo nem para isso.

Caramba, fico pensando em que posição tenho me colocado e porque não tenho dado mais atenção aos meus desejos.

Hoje eu saí, pois, precisei resolver algumas coisas.

Entrei ali, pedi um café, me sentei em uma das cadeiras vermelhas perto do sofá estofado que acomoda várias pessoas.

O lugar é aconchegante, alegre, música ambiente ao fundo. Vários quadros decoram o lugar que se misturam ao colorido do ambiente.

Porque não. Porque sempre me esquecer.

Tomei meu café, pus as ideias no lugar, me senti longe e ao mesmo tempo mais presente na consciência de que mereço um tempo para mim.

Tudo passa muito depressa e esse ano muita coisa aconteceu. Muita reviravolta, muito lugar que tive que desocupar para me instalar aonde estou, provisoriamente.

Mas a minha mente também flutua, não importa, eu preciso andar comigo e sentir o caminho dos pés aonde tenho vontade de ficar.

Então, que eu me olhe com mais cuidado e me aprecie, mesmo que ninguém perceba meu andar por vezes apressado, ou pelo olhar que busca e também sente as desigualdades que se mostram espalhadas por aí.

Nada me sufoca mais do que o direito de não poder ir e vir.

E eu não consigo ser de outro jeito, senão o que transpiro por dentro. Mesmo que seja a sós, mesmo que seja ao lado de alguém que me olhe sem julgamento.

Eu tive que passar por muita coisa para me aceitar mais, para reaprender o caminho da vivência espiritual e não aceito que me prensem em qualquer lugar.

Aprendi a me respeitar e a me dar o lugar que me cabe com a honestidade de quem sabe que guerreou e muitas vezes descansou em solo tranquilo.

Saí sem culpa, fiz o que tive que fazer, voltei sabendo das responsabilidades.

O que é fato é que elas estão à minha frente. Mas eu também mereço descanso, silêncio, distanciamento quando tudo parece implodir.

Na luz da prece, na gratidão ao meu bom Deus, vou seguindo.

Refaço-me e sigo. Eu dependo de mim.

 

 

terça-feira, 16 de novembro de 2021

Todas as pessoas que atravessam o nosso caminho, o fazem por algum motivo.

 

Por: Sil Guidorizzi

Todas as pessoas que atravessam o nosso caminho, o fazem por algum motivo. Algumas amamos, outras afastamos, outras nos ensinam muito no quesito, amizade, carinho, respeito e consideração.

Há aquelas que nos buscam na berlinda, ali, no estágio final e, sem dizerem absolutamente nada, nos encaminham à cura, por vezes, dolorosa do tempo.

Pessoas que se tornam especiais dentro de nós, fazendo-nos sentir a vida pelo lado mais humano e menos sombrio. São espíritos de luz que simpatizam, ficam e se fazem presente em nosso caminho, por vezes, inverso, meio desconexo, cheio de dúvidas e questionamentos.

São pessoas que nos fazem sorrir meio bobo, sorrisos apaixonados, quase pueris. Pessoas que nos ampliam e nos mostram o caminho do simples, da gratidão, do bem-querer.

Por isso existem pessoas estrelas e pessoas cometas. Eu ainda gosto de admirar as que ganham seu espaço sem conturbar o espaço de ninguém. Pessoas que têm brilho próprio e emanam sua simpatia através da empatia que criam com outro ser.

Talvez essas pessoas sejam escolhidas por Deus para nos trazer asas, sonhos, para nos trazer leveza, sem agourar o que somos ou o que possuímos.

Que sejam o suficiente em nossa vida, afinal, ninguém precisa de um maracanã lotado de gente que apenas tenha curiosidade em nós, apenas tenha interesse em saber se nos demos bem ou não.

Prefiro tocar as estrelas e alcançar em cada uma delas a visão da amizade e do companheirismo.

Graças a Deus, eu aprendi a descobrir durante minha trajetória que, se pessoas por algum motivo fecharam a porta, é porque havia algo melhor e mais cheio de vida do lado de fora esperando por mim.

Precisamos aprender a sentir falta de quem nos deu mais que saudade, afeto, gentilezas e coincidências do destino.

São pessoas que o tempo não leva de nós porque onde quer que estejam neste momento, elas fazem parte do nosso trajeto e da nossa história de um jeito bonito.


Imagem - Pixabay Free


sábado, 13 de novembro de 2021

Mudaram as estações. Mudaram o rumo dos ventos.

 

Por: Sil Guidorizzi

Mudaram as estações. Mudaram o rumo dos ventos.

Mudaram o meu caminho, mudaram o que preciso, mudaram muita coisa em mim.

Mudaram meu jeito de ver, de falar, meu jeito de não me curvar tanto, de não aceitar menos do que acho que mereço.

Mudaram meus pensamentos, minha maneira de andar, de sentir, de me acolher.

Mudaram mais do que eu esperava porque a vida passa, e tudo que ficou, ficou porque é preciso.

Mudaram meus sonhos, mudaram a rota do coração.

Aprendi a me despedir, aprendi a desistir, aprendi a não ceder só para agradar.

Mudaram minhas perspectivas, minha prosa com o tempo, me ensinaram o sabor da persistência dentro da dignidade de que tudo vai passar e ficar bem.

Mudaram minha maneira torta de viver do avesso, mudaram a mobília, abriram a janela, fecharam portas, me distanciaram daquela dor que vinha latejando sem parar no peito.

Mudaram para que eu também mudasse para que eu me encontrasse sem tanto lamento.

Mudaram as estações, mas também muita coisa se ajeitou por aqui.

Hoje eu me ofereço mais do que me deram.

Muitas vezes não me deram nada; só ilusão e sofrimento. Foi só apego por algo que não ia durar para sempre.

Respeito cada um que escolheu seguir sua vida, respeito cada um que teve coragem de ousar e não desistir daquilo que realmente seria a sua escolha verdadeira.

Não importa, tenho uma boa bagagem, tenho reconhecimento do próprio terreno.

Hoje é por mim, por quem me deixa livre para cumprir meu destino.

Das páginas soltas, dos livros lidos, do amor de cabeceira que não morreu, sigo tranquila nas esquinas da mente.

Elas falam, se encontram, prestam atenção aquelas palavras grafadas naquele outdoor imaginário que marcou um tempo de descoberta e encontro emocional.

Também sou suave, sou prece, sou o lugar que esquenta, a voz que não grita, o silêncio que compreende.

Mudaram, me mostraram, me supervisionaram dentro da estratégia do aprender.

Aprendi, continuo arriscando, riscando, apagando, tentando, conciliando.

Quero paz.

Paz adquirida é algo único.

Busco por ela todos os dias.

É assim que tem de ser.

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

Precisamos de afago, de carinho, de mais mãos estendidas.

Por: Sil Guidorizzi

Não há arma melhor do que a fé.

Não há coisa melhor do que o tempo e suas curas.

Não há nada melhor do que o amparo de Deus em todas as nossas horas.

Não há nada mais precioso do que nossa vida e nossa luta por dias melhores. Somos vencidos, vencemos, agradecemos.

Tudo que vem de nós é emitido ao universo. Tudo que recebemos, também. Não há nada mais certeiro do que o que ELE vê em nós e a maneira como nos vemos.

Somos falhos, sim. Somos avessos à muitas coisas, sim. Mas também sabemos e sentimos quando nosso coração se reflete na paz de outro alguém, quando recebemos luz, quando ouvimos e desabafamos dentro de nós mesmos esperando o amanhecer da vitória, da trégua, da cumplicidade com o que geramos em nossa alma.

Os dias são aquilo que construímos, que reconstruímos sem garantia alguma.

O nosso pilar emocional precisa ser alicerçado com a fé, a confiança e a serenidade para que aprendamos a ser mais resilientes e mais seguros.

Os dias também serão turbulentos; caminharemos por lugares mais confusos, estaremos longe de nós mesmos. Precisamos dessa troca, desse contato com essa camada que nos liga ao etéreo, chamada por nós de fé.

Precisamos de afago, de carinho, de mais mãos estendidas.

Diremos não, nos torturaremos; sentiremos certo peso nos ombros, mas também aprenderemos a nos dizer sim, aprenderemos a nos perdoar, a não cometer os mesmos deslizes sem que nos doa tanto. E vamos nos doando de um jeito mais simples, mais humano, menos constrangedor para nós mesmos.

Não há nada melhor do que nos olharmos no espelho e vermos que o nosso reflexo amadureceu, que as constantes adversidades nos fazem olhar mais para dentro, cultivando esperança.

Nada fica sem resposta. Então, vamos aprendendo a fechar portas, a encerrar ciclos, a nos percebermos com verdade sem abusar da nossa própria sanidade mental.

O que é certo, e eu concordo, é que Deus faz tudo absolutamente certo.

Cada um de nós tem uma missão a cumprir aqui. Somos passageiros nessa viagem temporária.

Precisamos aprender a evoluir!

 

 



 

 

terça-feira, 9 de novembro de 2021

Estou atrás de viver uma vida decente.

 


Por: Sil Guidorizzi

Estou atrás de viver uma vida decente.

Uma vida de quem cuida e também respira.

Prefiro não pirar, prefiro viver dentro do simples.

Quero decência para levar minhas coisas em paz e não me preocupar com o que já foi.

Tudo foi um grande aprendizado; chega de querer entender tudo.

Estou atrás de chegar e ficar onde o coração não finge, onde pessoas não se falsificam, onde há estrada para todo mundo transitar e descansar onde bem entender.

Estou atrás de um lugar de respeito onde eu não me incomode, onde eu consiga ser capaz, onde eu coloque meus pertences sabendo que nada é meu.

Lá fora embora haja muita tempestade, muito desaforo, muito leva e traz, há também a dignidade de quem não se intimida.

No fundo eu fecho meus olhos e busco a calmaria, busco semear coragem para me fortalecer.

Isso é decência, isso é consideração pelo que sou.

Não me leve a mal, mas já passei por muita provação, passei por muito teste de paciência e resignação; já levei muita bordoada para acordar.

No mais, eu sei dos meus erros, sei de quantas vezes tentei melhorar para não cair.

Nem sempre amanheço bem, nem sempre fico firme.

Às vezes sinto cansaço além de mim.

Estou lutando.

Mas eu também sei que tudo é transitório nesse mundo de Meu Deus.


Imagem de Pezibear por Pixabay 

 

 

 

 

domingo, 7 de novembro de 2021

Desta vida não quero levar muita coisa.

 


Por: Sil Guidorizzi

Separei a bagagem da saudade para quando sentir mais frio poder me aquecer as boas lembranças.

Separei outra, com os aprendizados do tempo, com as lições que muitas vezes tive que reler refazer e repetir.

Em outra, ficam os pertences da alma, do amor profundo que abracei com o coração feito laço que não se dissolve, fica o acolhimento das pessoas que realmente souberam estar comigo. Ficam as coisas que reconstruí as coisas que me mostraram e demonstraram que valia a pena seguir em frente sem me martirizar pelo que não aconteceu.

Na verdade, os Planos não são meus. São empréstimos da vida feito pacto com o alto, com a aprovação de Deus.

Ficam as músicas, as letras, os rascunhos e a dedicação de estar mais feliz. Ficam os bons, os que amparam e nada cobram. Ficam os aconchegos os sorrisos e os aprendizados que souberam elevar o espírito.

Fica a porta que se abriu para o etéreo e as conversas mais silenciosas entre os dois planos.

Desta vida quero o necessário. Sem bagagem aparente, levo o suficiente.

Existem flores para perfumar o ar existem os sinais que a vida emana. Existe uma paz que não se compra, mas, se batalha por ela.

Basta acreditar que ela chegará. Desta vida só quero quitar um pouco dos meus débitos e sentir que minha missão não foi em vão…

Nas escrituras do tempo, assinei e arquei com as consequências de tudo que escolhi.


domingo, 31 de outubro de 2021

A vida urge, o tempo voa, e eu preciso de abrigo interior.

 


Por: Sil Guidorizzi

Estou aqui pensando qual a idade da minha alma; se sou daqui ou de um lugar distante e desconhecido.

Estou lembrando quantas vezes fui calmaria e furacão. Quantas vezes gastei sola de sapato, quantas vezes saí por aí sem saber bem por onde ir.

Quantas vezes andei com o olhar vago e distante enquanto em minha mente só havia o pensamento das coisas que não consegui entender.

Mas eu sei que sempre em algum espaço, em alguma lacuna da vida a resposta se encaixa como bilhete de Deus.

Tantas vezes eu só quis viver a seriedade de algo bonito sem farsa, sem desculpa.

No fundo, eu desisti de ser sempre a pessoa que espera para ver. Eu não espero mais nada de ninguém. A vida urge, o tempo voa, e eu preciso de abrigo interior.

Toda vez que eu me lembro daquela voz que me disse que sou humanamente inesquecível, sinto que em algum lugar fiquei e permaneci na caixa de memória afetiva desse alguém.

Estou aqui decifrando palavras nas entrelinhas, pontas que ficaram soltas, deixando de ser saudade para ser mais eu nesse lugar que vivo hoje.

Eu não ligo de dizer o que sinto, não ligo se um dia eu também caí.

Como eu sei que tudo passa e tudo é mutante, acho que estou crescendo sem precisar gritar tanto.

Estou aprendendo a me ouvir.

Tenho interesse por tudo que me leve para frente, que alcance minhas mãos, que abrace forte minha alma.

Sem paz, sem acerto.

Não dá para viver sempre em cima do muro. Quem sabe, um dia, talvez.

Eu sempre digo que os fortes sobrevivem apesar dos fracassos, das batalhas perdidas; que eles também se cansam, se desgastam, se excedem; fraquejam.

Ao mesmo tempo criam uma solidez espiritual que poucos conseguem ver.

É que vem de dentro, vem de toda trajetória, vem de cada amadurecimento.

Eles sabem que sempre será um dia por vez.


Estou deixando a maturidade me abraçar, estou deixando de viver por viver.

 


Por: Sil Guidorizzi

Eu demorei para entender o que é paz verdadeira, demorei para me acertar com o coração.

Hoje, além de viver uma relação de amor-próprio comigo, aprendi a dedicar mais tempo para mim.

Eu demorei a desatar certos nós, demorei para entender que a vida que é minha por direito não deve ser submissa à vontade de ninguém.

Tudo que levo comigo, todas as coisas que sinto e predominam em minha alma, são os momentos de reconciliação a que me ofereci.

Estou deixando a maturidade me abraçar, estou deixando de viver por viver.

Quando o perdão é dado, quando a consciência já não se incomoda com coisas que findaram e já não pesam, agradeço por poder respirar sem aperto no peito.

Eu já estou na metade da estrada, estou calejada, estou onde quero ficar.

Ao acordar peço para que Deus me fortaleça, peço para que eu seja melhor e não, perfeita.

Tenho meus avessos, tenho minhas vivências.

O importante é conseguir me encontrar.


Imagem - Pixabay

Estou nessa sintonia: Sem holofote e com preguiça de quem só enxerga o próprio umbigo.

 

Por: Sil Guidorizzi

Tenho notado que já não me enquadro em certos padrões; que não preciso seguir a cartilha do que todo mundo quer.

Tenho notado uma grande diferença entre o ontem e o hoje.

Hoje, habituada a coisas mais simples, não vivo de aprovação e nem de dar satisfação do que sou.

O mundo está bagunçado, muita coisa já mudou de lugar. Tem gente que ainda não aprendeu, tem gente que está dançando como quem espera um lugar para ficar.

Se eu tive a sorte de tirar proveito de tudo que atravessei até aqui, sinto que já conquistei uma grande sabedoria interior.

Esse foi um dos anos mais estressantes que passei, foi o ano onde mais me dividi e tive que me virar em trinta para resolver tudo que chegou desgovernado em minha vida.

Cabe a mim, me orientar e ajeitar esse tanto de coisas que ainda seguem em busca de entendimento.

Eu respeito meu cansaço físico, respeito o meu cansaço mental.

Cada um segue vivendo a sua vida como quer e eu não preciso viver explicando tudo que acontece comigo.

Acho que Deus sempre traz o que dá para carregar e sempre dá motivos para que eu entenda que força não me faltará nas horas mais difíceis.

Só que também eu tenho buscado o direito de me isolar, de ficar quieta em meu canto, de saber que eu não preciso me misturar tanto assim.

Eu me levanto sabendo que nem tudo vem pronto e que é preciso arregaçar as mangas e sair para a luta diária se eu quiser chegar em algum lugar.

Cada um sabe o que enfrenta diariamente, e cada um encontra a maneira de fugir ou de tentar se resolver.

O peso também esgota, e muitas vezes sair para arejar a cabeça do mundo caótico é necessário para receber a dose extra de coragem para prosseguir.

Não gosto de muito barulho, não gosto de me intrometer na vida de ninguém.

Cuido do que é necessário, penso nas possibilidades de expandir meu universo, penso sempre na possibilidade de regar meu jardim sem tanta tempestade assim.

Elas acalmam, assim como os dias mudam conforme os Planos de Deus.

Estou nessa sintonia: Sem holofote e com preguiça de quem só enxerga o próprio umbigo.

Vou me ajeitando, vou me sabendo.

Continuo sendo assistida. 

Apesar de todo mal que já me desejaram, continuo cultivando o bem.

Sigo em busca de equilíbrio e paz.

Muito afrontamento com quem acha que sempre tem razão é desperdício de tempo.

Prefiro o isolamento acústico, prefiro me blindar para não ser atingida pela amargura alheia.

Melhor assim.

Imagem de KarinaCarvalho por Pixabay 

 

 

 

 

sábado, 30 de outubro de 2021

Neste caminho entre o certo e o errado, entre a sensação de que se fez o que pôde, resta-nos a sensação de que não dá para ficar contando quantas vezes desabamos ou quantas vezes, diante da nossa própria fé, levantamos. Ainda há muito a se fazer.

 



Por: Sil Guidorizzi

Às vezes, a gente precisa voltar para nossa casa, precisa aprender a espairecer o coração. Precisa se ajeitar no desarrumado ou colocar as coisas em dia.

Às vezes, a gente só quer saber de cuidar mais dos sonhos que estão guardados, das pessoas que se conectam com nosso espírito, só quer se sentar em algum lugar longe de tudo que faz mal e cansa a vida.

Às vezes, é preciso fazer uma reforma íntima para se achar, para saber quem a gente é e onde deve estar neste momento de transformação e canalização física e mental. 

Longe, perto, dentro. Perto dos próprios ideais e de menos sofrimento.

Às vezes, a gente empilha coisas, empurra com a barriga; faz, muitas vezes, cara de paisagem, cara de quem não quer entrar em conflito com ninguém. E aí a gente vai aprendendo onde ficam as coisas mais próximas, onde deve de verdade nos isolar e passar adiante coisas que aprende de bom.

Às vezes, Deus chega e nos mostra que nem sempre é aquilo que vemos, que acreditamos, muitas vezes, por sermos pessoas do bem.

Muitas vezes, deletamos e não esquecemos, pensamos e não nos atendemos, culpamos a nós mesmos e nos remoemos pelo que os outros não viram em nós.

Nem todo mundo enxerga com a alma, nem todo mundo tem a sensação de que foi coisa de outro tempo, nem todo mundo tem empatia, isto é, não consegue se colocar no lugar do próximo, ou viver relações interpessoais.

A energia que canalizamos é o que nos trará o equilíbrio ou o desequilíbrio.

Às vezes, é preciso barrar a própria euforia para ir mais devagar, é preciso menos expectativa para não sair ferido, é preciso ter consciência de onde os pés andam, onde abraços podem tocar, onde palavras de incentivo podem fazer a vida de alguém melhor.

Às vezes, a gente sai e esquece de si mesmo, a gente se veste para ser útil a alguém, ajuda a sanar dores, espalha afetos, silencia quando alguém sente o mundo desabar.

Neste caminho entre o certo e o errado, entre a sensação de que se fez o que pôde, resta-nos a sensação de que não dá para ficar contando quantas vezes desabamos ou quantas vezes, diante da nossa própria fé, levantamos. Ainda há muito a se fazer.

Às vezes, a gente ignora, para de depositar fichas em coisas falidas e compreende que tem de ser a melhor companhia em certas situações.

Haverá dias em que a gente terá de conviver consigo, de aprender a respirar mais devagar, de enfrentar certos monstros que o assombram; a gente terá que se habitar com respeito e tolerância.

Para isso, é preciso calma, entendimento, sensação de proteção e amparo por algo maior que nos protege além desta camada terrena.

Não estamos em tempo de intrigas, de farpas, de quem é a culpa, estamos em tempo de crescer, de amadurecer, de fazer por nós e pelos outros algo realmente instrutivo e saudável à mente e ao coração.

Às vezes, é Deus mostrando que é hora de pausa e recolhimento. É tempo de mais consciência e maturidade interior.

 

Imagem de Vladimir Buynevich por Pixabay 

terça-feira, 26 de outubro de 2021

Um café me salva, o silêncio atravessa minha estrada interior.

 


Por: Sil Guidorizzi

Cada vez me sinto mais estranha nesse universo de divididos.

Não ligo de andar só.

Tenho me entretido com as coisas que disputam espaço aqui dentro, tenho testado meus limites, tenho dado as costas ao que faz sombra na alma.

Acho que fiquei mais inteligente emocionalmente e não me importo mesmo com pessoas indiferentes a mim.

Eu estou me bastando, estou sempre percebendo que minha história tem algo de sagrado em meio a todo caos vivido.

Que bom que já não preciso arrastar correntes ou viver me diminuindo pelos outros.

Um café me salva, o silêncio atravessa minha estrada interior.

Estou ciente de que nada vem de mão beijada.

Não é levando tapa na cara que vou desistir.

Meu objetivo de vida tem endereço e destino.

Quero a luz do sol fortalecendo meus poros dilatados.

Sou fé, sou espírito, sou presente.

Que o melhor se manifeste em mim.

 

 

sábado, 23 de outubro de 2021

Nunca esqueça: das rachaduras da vida também brotam flores do chão.

 


Por: Sil Guidorizzi

Por vezes parece difícil perseverar.

É muito desprendimento, entendimento, sensação de impotência e um certo ar de vazio rondando o caminho.

É muita coisa estranha bagunçando coração.

Mas a mão de Deus sabe exatamente onde tudo deve ser tocado, tudo deve ser continuado, onde deve haver livramento para que muita coisa destrave sua vida.

Por vezes é preciso muito amor-próprio para se colocar fora do que os outros acham que tem poder sobre você, do que os outros acham que serve ou não, do que deve ser feito e seguido à risca.

Arrisque-se longe dos malfeitores, longe dos que não simpatizam, mas se fazem de bons mensageiros do vento.

Quem tem fé responde aos chamados do alto, conversa, sem vergonha de se mostrar inteiro, sem medo de julgamento.

Essa é uma prática silenciosa que ninguém tem acesso quando você se permite vivenciar as coisas que ainda precisam de cura e outras que precisam de desobrigação e distanciamento.

Nem tudo é ferro e fogo.

Escute mais sua intuição.

Nem tudo é loucura, exagero.

Esteja presente nesse processo de evolução.

Agradeça sempre.

Tudo que se abre a sua frente, é como descortinar o que parecia invisível.

Antes de virar a página, reflita sobre tudo o que aprendeu.

Siga em frente sem peso nos ombros.

Se você fez o possível acredite que não haverá culpa que recairá sobre seus pensamentos, sobre sua consciência.

A vida te levará por vezes por lugares mais doídos, mas também lhe reservará momentos mágicos e inesquecíveis.

Nunca esqueça: das rachaduras da vida também brotam flores do chão.


Imagem de J Garget por Pixabay 

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Não seja um acumulador de emoções que ferem, um acumulador de mágoas e ressentimentos.

Por: Sil Guidorizzi

Se você procura evoluir e o outro, não, não se preocupe com isso.

Atravesse seus muros, encerre ciclos, siga sempre em frente cuidando melhor da sua energia vibratória.

Você estará se protegendo, estará enviando luz aos adoecidos de alma, estará sendo mais generoso com sua consciência, com seu estado de espírito.

Sua missão é seu entendimento de vida.

Os que estão ao redor, os que são tóxicos, os que ainda não conseguiram visualizar a estrada da gratidão e fraternidade, ainda seguem aprendendo.

Auxilie sempre que possível.

Permita-se distanciamentos, permita-se não afrontar se você prefere seguir em paz.

Cuidado com o que você ingere e alimenta dentro de você.

Toda vigília faz parte do seu cuidado interior, todo desprendimento sinaliza que você já entendeu que nada é seu.

Tudo são empréstimos para suas vivências.

Não seja um acumulador de emoções que ferem, um acumulador de mágoas e ressentimentos.

Fortaleça sua alma e mentalize toda sorte do mundo para que você se manifeste em luz e amor.

Não seja aquele que carrega o mundo das outras pessoas nas costas.

Você já tem uma bagagem para levar, coisas para construir, decisões a tomar e uma vida que ninguém pode viver por você.

Separe o joio do trigo.

Ajude, mas não deixe que ultrapassem limites.

Feche a porta sempre que quiser respeitar seu tempo.

Ele é seu e de mais ninguém.


Imagem- Pixabay